de que importa concretamente quem somos? de que importa a busca do que não somos, nos move, implacável, de que importa? se procuramos o inconcreto, se queremos mais do que o impossível, se nos desventramos na análise científica de interiores fechados em exterior. matéria, reles matéria somos, poderemos mais?
o mito é o orgasmo dos cosmos. nós, os cosmos. morremos morremos morremos A MORTE É A VIDA, MAIS QUE A VIDA
peço-te então que nasças, e morras e nasças e morras cada vez mais.
4.12.12
28.11.12
morremos e ficamos
simultaneamente
morremos nós e as nossas ideias permanecem
nas nossas consciências.
o problema reside aí, na transcrição apressada de pensamentos
que não podem ser descritos, sumariados em palavras, por mais caras que estas sejam
o que se sente
sente-se
descreve-lo é tirar-lhe o sentido
egoistamente
mente então ao criares projecções poéticas de ti mesma
nada poderá ser exactamente o que és
nem ninguém poderá concretamente ler quem sou.
simultaneamente
morremos nós e as nossas ideias permanecem
nas nossas consciências.
o problema reside aí, na transcrição apressada de pensamentos
que não podem ser descritos, sumariados em palavras, por mais caras que estas sejam
o que se sente
sente-se
descreve-lo é tirar-lhe o sentido
egoistamente
mente então ao criares projecções poéticas de ti mesma
nada poderá ser exactamente o que és
nem ninguém poderá concretamente ler quem sou.
8.11.12
18.10.12
deixa que eu flua
Derreto-me continuamente, pois claro, deixo que este subatómico eu se assuma e liberto-me, escapo-me das paredes que não possuo, que deixei de possuir, repentinamente - sem que desse conta de tal.
E sou livre de uma vez, vou alternando entre os estados físicos que me convêm mais ao momento, sou livre e consigo respirar embora todos os odores e vapores se tenham já consumido (e assim sendo já nada tenho para inspirar, já nenhuma realidade me cativa e interessa, toda a fusão entre o eu e o tu se desvaneceu).
E nesta prisão redonda a que uns chamam de planeta Terra, outros apenas crânio, cérebro, mente, alma, razão, nestes conceitos supérfluos, ideias já muito pré-concebidas da realidade, de uma qualquer realidade, entorpeço-me, caio, pereço sem que morra de facto. Até que um dia, por explodir todo o meu ser, toda a minha consciência, por todas as partículas que sou se tornarem uma, por libertar toda a energia trivial que guado estupidamente, bem contida e encafuada nos recônditos da minha pessoa, olho para cima e finalmente vejo - não com os olhos mas com a minha profunda e confusa existência.
E sou livre de uma vez, vou alternando entre os estados físicos que me convêm mais ao momento, sou livre e consigo respirar embora todos os odores e vapores se tenham já consumido (e assim sendo já nada tenho para inspirar, já nenhuma realidade me cativa e interessa, toda a fusão entre o eu e o tu se desvaneceu).
E nesta prisão redonda a que uns chamam de planeta Terra, outros apenas crânio, cérebro, mente, alma, razão, nestes conceitos supérfluos, ideias já muito pré-concebidas da realidade, de uma qualquer realidade, entorpeço-me, caio, pereço sem que morra de facto. Até que um dia, por explodir todo o meu ser, toda a minha consciência, por todas as partículas que sou se tornarem uma, por libertar toda a energia trivial que guado estupidamente, bem contida e encafuada nos recônditos da minha pessoa, olho para cima e finalmente vejo - não com os olhos mas com a minha profunda e confusa existência.
27.8.12
quero que me continues
cheiros. dilantando memórias em fragrancias imperceptíveis do que em espaços se perdeu.
uma sala a céu aberto: uma só parede sem vértices. uma só e contínua irregularidade fechada mas aberta, a céu. a memória dos cheiros está incrustada na parede, não possuis a parede, o ar nunca foi teu. penetrou-te indiferente, fundiu-se no mais profundo molecular e atómico que temes ser, abandonou-te ao corte rasgado da recordação acutilante. o NUNCA MAIS. irreversívelmente embriagado pelo perfume do antes, cais num chão que te coloca o céu visível, mais longe, longe, esta parede disforme que te cerca, que te corrói, que te come.
diz-me como escaparás. conta-mo como se me descascasses o craneo.
uma sala a céu aberto: uma só parede sem vértices. uma só e contínua irregularidade fechada mas aberta, a céu. a memória dos cheiros está incrustada na parede, não possuis a parede, o ar nunca foi teu. penetrou-te indiferente, fundiu-se no mais profundo molecular e atómico que temes ser, abandonou-te ao corte rasgado da recordação acutilante. o NUNCA MAIS. irreversívelmente embriagado pelo perfume do antes, cais num chão que te coloca o céu visível, mais longe, longe, esta parede disforme que te cerca, que te corrói, que te come.
diz-me como escaparás. conta-mo como se me descascasses o craneo.
14.7.12
Utopos.
Conceito inconcebível enquanto parte de um todo, englobando toda a envolvente material.
o sol congela na linha do horizonte sem que a luz esmoreça de rompante. o conceito inconcebível concebe-se.
utopia. algures num outro lado do planeta um calor abrasador retorna a escorrer suor nos corpos estafados.
a continuidade das coisas mantém-se constante imutável transparente permanente camuflada.
utopia. não gravamos cheiros na memória, antes gravamos memórias nos cheiros.
Conceito inconcebível enquanto parte de um todo, englobando toda a envolvente material.
o sol congela na linha do horizonte sem que a luz esmoreça de rompante. o conceito inconcebível concebe-se.
utopia. algures num outro lado do planeta um calor abrasador retorna a escorrer suor nos corpos estafados.
a continuidade das coisas mantém-se constante imutável transparente permanente camuflada.
utopia. não gravamos cheiros na memória, antes gravamos memórias nos cheiros.
28.5.12
Curvas planas côncavas em traços desalmados e quase nada humanos. Labaredas partículas minúsculas que se convertem em partículas minúsculas espaços vazios não preenchidos e somos carne e osso somos vida e pequenos minúsculos espaços vazios. O oxigénio mantém-se consumido quase diluido na atmosfera nauseabunda que tresanda a nós destas paredes caiadas já um pouco lascadas paupérrimas e sensaboronas e pode ser que o quarto sem janelas cresça iluminado aquando do nascer das pequenas partículas reactoras. Pensar que dentro de nós se perpetua a impensável inimaginável inconcebível energia para despoletar o rebentar de uma bomba atómica que arrasaria todo o verde que o mundo vai rareando, será legítima essa associação? Mas enquanto as curvas planas côncavas suadas em traços desalmados frenéticos nada humanos e inadaptados são percorridas num arrepio solene tudo se consome e as partículas minúsculas que não passam de pequenos minúsculos espaços vazios bastam para que se consuma o pobre desalento vítreo das nossas consciências pesadas.
27.5.12
14.5.12
1.5.12
e ouço um ruído de fundo como se subitamente todo o mundo houvesse estacado para os seus cérebros ecoarem em uníssono, as sinapses darem-se ao mesmo ritmo, os corações bombearem o fluxo negro de vida na mesma sinfonia parada e estagnada. o arco do violino não pousa, o sopro de ar não cresce. não flutua. o ruído de fundo abate-se sobre as consciências inebriadas, triviais, um sonânbulo levanta-se e caminha para o parapeito da janela. nasce vida.
o ruído de fundo cessa.
o ruído de fundo cessa.
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